Cidade do Paraná lembra de juiz federal por sua honestidade na política

     

    Em pleno Dia do Trabalho, o Jornal Nacional, exibiu uma matéria sobre um prefeito que há 50 anos atrás recebia da população de seu município um “presente” pela sua honestidade, um fusca azul. O prefeito na ocasião era o juiz federal Milton Pereira, que posteriormente se tornou desembargador federal e ministro do STJ.

     

    Carro ano 1967, único dono e muitas histórias. É a imagem bem conservada do reconhecimento de um povo a um político cheio de virtudes.

     

    O nome dele era Milton Luiz Pereira, paulista que morou em Curitiba, se formou em direito e foi trabalhar em Campo Mourão, norte do Paraná. Anos depois, Dr. Milton se elegeu prefeito e mudou a cara da cidade: abriu estradas, construiu escolas, biblioteca, pôs as contas do município em dia. A Gestão transparente com prestação de contas mensal, transmitida pelo rádio. Apesar da grande aprovação popular, em 1967 Dr. Milton decidiu renunciar ao cargo para virar juiz federal.

     

    "Saio principalmente com a consciência tranquila do dever cumprido. Trabalhei o que pude, não fiz mais porque talvez fosse impossível", disse.

     

    Foi uma comoção na cidade. Agradecidos, os moradores fizeram uma vaquinha, compraram o fusca novo e o deram de presente para o prefeito, que andava a pé. O Dr. Milton tinha vendido o carro dele para pagar contas e manter a família.

     

    “Por algum tempo ele hesitou e não quis aceitar. Falou que não podiam ter feito aquilo porque onde já se viu a cidade inteira gastar dinheiro com um carro. Mas depois que ele viu que era um gesto de agradecimento, era espontâneo, era um agradecimento da população toda que compareceu no local, então ele aceitou”, disse Marcus Pereira, o filho do Dr. Milton.

     

    No dia da homenagem, mais uma surpresa: o carro enguiçou, mas o povo deu um jeito.

     

    "Empurraram o carro até a casa dele, que ficava a algumas quadras dali", contou Marcus.

     

    Dr. Milton virou juiz, desembargador, foi ministro do STJ, mas nunca mais quis saber de outro carro. Até a morte, em 2012, fez questão de só dirigir o fusquinha, que agora volta às origens.



    Por decisão da família, o carro foi levado para Campo Mourão onde vai ficar exposto. Cinquenta anos depois, a lembrança de um gesto espontâneo e cada vez mais raro, um prêmio à honestidade na política.

     

    “Que esse presente que o meu pai ganhou há 50 anos seja um exemplo. Seja inspiração para que a administração seja feita pensando no bem comum”, disse o filho do Dr. Milton.

     

    Link para o vídeo da matéria.
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